“Bruxelas não tem o que ver”. Essa é a grande máxima de muitos viajantes que retornam das suas eurotrips e acharam por bem dar um pulinho na Bélgica, triangulando, assim, a visita com a França e a Holanda ou, num bate-volta a partir de alguma outra cidade europeia. Mas eu sempre duvidei que isso fosse verdade, afinal de contas, um lugar que tem as melhores cervejas, chocolates e batatas fritas não pode ser tão decepcionante, né? Partindo desse princípio fomos ver com nossos próprios olhos para descobrir e traçar o nosso roteiro por Bruxelas. Primeiro, começamos pelo passeio tradicional e clássico da capital belga - o que eu diria ser o Lado A.
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Famoso mural de Tintin, em Bruxelas, às vezes passa despercebido pela multidão de turistas |
>> Bruxelas Clássica - Lado A
Grand-Place de Bruxelas
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Primeira parada: Le Gran-Place |
Um dos mais conhecidos cartões-postais da cidade, essa praça no coração de Bruxelas é o primeiro ponto turístico dos visitantes que chegam à capital belga. Cercada de bonitos e exuberantes prédios públicos e privados, esse conjunto arquitetônico que data do século XVII, abriga a Maison du Roi, o Hôtel de Ville, além de outras edificações importantes para a cidade. Descrita por Victor Hugo como “a praça mais bonita do mundo”, a Grande Praça – hoje considerada Patrimônio Mundial da UNESCO –, recebe, a cada dois anos, no mês de agosto, o famoso tapete de flores, que com suas mais de 600 mil begônias deixa a região ainda mais impressionante e colorida.
Galeries Royales Saint-Hubert
Próximo à Grand-Place está o belíssimo prédio da Galeries Royales Saint-Hubert, construído em 1847. Quem já esteve em Milão e visitou a Galleria Vittorio Emanuele vai perceber a semelhança arquitetônica entre as construções. Hoje a galeria abriga lojas de grife e casas de chocolate, como Longchamp, Léonidas e Godiva. Flanar ao longo dos seus 200 metros de extensão é bastante convidativo. Sem dúvidas, um ponto concorrido em Bruxelas, já que por ano esse imponente passeio recebe cerca de 6 milhões de visitantes.
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Compras e chocolates, um duo possível em Bruxelas |
Manneken Pis
A Mona Lisa belga, esse poderia ser o apelido dessa pequena fonte de Bruxelas. Sobrevivente do bombardeio de 1695, ícone do folclore belga, a estátua já foi roubada inúmeras vezes. Hoje, o que está exposto na rua é uma réplica, a verdadeira encontra-se na Maison du Roi. O pequeno rapaz mijão, hoje em dia não fica sempre pelado, seu guarda-roupa conta com mais de 900 looks e ele é vestido cerca de 130 dias no ano. Na nossa visita o Manneken estava vestido de drácula. Pelo seu tamanho diminuto (são cerca de 60cm) os turistas ficam meio decepcionados, tal qual como com a Gioconda do Louvre, no entanto, mesmo pequeno, visitantes se acotovelam por um clique do moleque.
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O pequenino Conde Drácula, ou melhor, Manneken, figura emblemática da capital belga |
Atomium
Mais afastando do centro de Bruxelas, o Atomium é um intrigante ponto turístico da cidade, para mim, o mais conhecido. Construído para a Expo 58, a Feira Mundial de Bruxelas, ele representa um cristal elementar de ferro ampliado cerca de 165 milhões de vezes. Algumas de suas esferas estão abertas à visitação e contam com uma exposição permanente em seu interior. Exagerados costumam chamá-lo de Torre Eiffel da Bélgica, talvez por se ter uma visão panorâmica da capital belga do seu topo. Tirando o romantismo da representante parisiense, eu diria que talvez as duas estruturas compartilham duas características: se tornaram símbolo de uma capital europeia e são mais legais vistas de fora do que de dentro.
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Atomium: Era para ser uma instalação temporária, hoje é cartão-postal da Bélgica |
>> Bruxelas Alternativa - Lado B
Depois de percorrer as principais atrações turísticas de Bruxelas, decidimos ir atrás do lado alternativo da cidade. Conhecida por ser a capital mundial dos quadrinhos, é obvio que essa veia artística teria muito a nos oferecer durante a nossa visita. E a partir daí já ficou claro para nós que um dia seria muito pouco para curtir a capital belga do jeitinho que ela merece. A cidade é um caldeirão de nacionalidades e referências – e para quem sai do poço de calmaria que é a Holanda, quando se chega a Bruxelas é impossível não comparar a vibe local com uma panela de pressão –, e acho que é por isso que a tensão extrapola e se transforma em criatividade, característica das grandes metrópoles.
Murais de quadrinhos
Bruxelas é a cidade onde foram criados Tintin, os Smurfs e muitos outros ícones da ilustração. Orgulhosa dos seus “filhos”, a capital belga ofereceu suas paredes para que artistas as cobrissem de cor e história. Um dos passeios deliciosos na cidade é caçar esses murais e colecionar cliques. Munidos de um mapa, foi delicioso passar uma tarde percorrendo endereços da Comic Strip atrás de tesouros multicoloridos.
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Os murais de quadrinhos estão por toda parte de Bruxelas, completamente bem integrados à paisagem |
Frites Belges
Entre um quadrinho e outro, para repor as energias, decidimos comer as famosas batatas belgas, mas a gente não queria qualquer batata, pois isso encontramos literalmente em qualquer esquina da cidade. Nos contentaríamos, apenas, com a melhor batata frita de Bruxelas. Pesquisa dali, pesquisa de cá, descartamos qualquer lugar mais chique e focamos apenas em quiosques tradicionais, foi assim que encontramos a indicação da Frit Flagey. Conhecida por estar num endereço habitual da cidade, a Place Flagey, essa banca tem sempre uma fila na frente. Ali você só escolhe o tamanho da porção (grande | 2,70 euros ou pequena | 2,40 euros) e o molho que vai em cima (60 centavos de euro) – acredito que são quase duas dezenas de sugestões. As batatas são gostosas, feitas na hora, as porções são generosas e o melhor, baratas.
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#RESPECT | É preciso respeitar um lugar que tem como ícone da cozinha a batata frita |
Um bairro descolado
Marolles (vizinho ao conhecido bairro Sablon) abriga uma das maiores e mais antigas ruas da cidade, a Rue Haute. Endereço de bares, restaurantes, galerias de arte e brechós, há quem diga que ali está a autêntica Bruxelas. O Mercado de Pulgas da região, o Vieux Marché da Place du Jeu de Balle, abre ininterruptamente todos os dias há 90 anos, uma boa pedida para quem viaja atrás de antiguidades. O bairro também é endereço certo para aqueles que curtem design de interiores, pois a concentração de lojas de móveis e decoração é alta nessa parte de Bruxelas.
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Para quem não dispensa um garimpo o bairro de Marolles é o endereço |
Pena que a maioria dos turistas fica apenas no lado A da capital belga e resume a viagem apenas a uma frenética passagem pelo país. As sugestões de passeios aí em cima recheiam um dia bem corrido ou garantem dois dias tranquilos pela cidade. E isso é porque a gente ainda não incluiu paradas em museus e refeições demoradas em restaurantes. Na ânsia de ver tudo (e não conseguir), trouxemos para casa como souvenir a certeza de uma nova visita a Bruxelas, porque a cidade tem, sim, o que ver. É só saber onde procurar.
Oi, Natalie ;)
ResponderExcluirObrigada por incluir e avisar!